Desde o começo do ano, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) avalia os agentes pelo número de multas aplicadas. O critério gerou polêmica e a associação que representa a categoria contesta, na Justiça, alguns itens da avaliação.
As multas são apenas parte das ações de policiais rodoviários federais que, desde janeiro de 2009, recebem pontos de 1 a 100 pelo trabalho realizado. Quanto mais pontos, maior é a chance de o policial conseguir promoções, participar de cursos de qualificação, ou escolher a data das férias.
Para a Associação dos Policiais Rodoviários Federais, o critério de avaliação é injusto e pode fazer surgir uma indústria de multas no Brasil.
Pelas novas regras de avaliação, quem não atingir a meta em 12 meses será submetido a um curso de atualização. No segundo ano, o policial poderá responder a procedimento administrativo disciplinar. O assunto foi levado à Justiça.
Uma ação pede a suspensão dos 13 itens que estimulam a premiação por multas.
Nos primeiros três meses de 2009, depois que a mudança entrou em vigor, foram aplicadas 786.276 multas nas rodovias do país – um acréscimo de 56 mil multas em relação ao mesmo período de 2008.
Para a PRF, a pontuação é um avanço na forma de medir o desempenho do policial, não havendo exagero nas autuações. Segundo o inspetor Aristides Júnior, da Policia Rodoviária Federal, “Um policial que faça uma multa sem abordagem ganha um ponto. Um que participar do comando de saúde ganha 20 pontos. Quem prender um assaltante ganha 80 pontos. Basta ver a discrepância entre os valores para constatar que somente a multa não será suficiente para que o policial tenha uma pontuação elevada”.
O juiz da segunda vara da Justiça Federal de Uberlândia, Gustavo Soratto Uliano, passou a competência de julgar a ação, contra a Polícia Rodoviária Federal, para o juiz da primeira instância da Justiça Federal de Brasília. O processo já foi despachado para a capital federal.
Fonte: g1.com.br
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